Aluguel comercial sobe 11,36% em Curitiba; veja bairros mais caros

Quais bairros têm os aluguéis comerciais mais caros de Curitiba?

O levantamento de agosto do FipeZAP revela diferenças significativas entre os valores anunciados nos bairros da capital.

O Bigorrilho aparece com o maior preço médio entre os bairros apresentados, de R$ 67,84 por metro quadrado. Em seguida estão Batel, com R$ 60,03, e Água Verde, com R$ 55,50.

Na outra ponta, o Centro registra média de R$ 30,83 por metro quadrado, menos a metade do valor anunciado no Bigorrilho.

As diferenças também aparecem na valorização dos imóveis. Nos 12 meses encerrados em agosto, os preços anunciados no Bigorrilho subiram 36,6%, enquanto o Boqueirão registrou aumento de 17,7%. No Batel, a alta foi de 12,5%.

Os dados compartilham anúncios de imóveis, não necessariamente os valores finais negociados nos contratos.

Por que alguns imóveis comerciais custam mais?

Segundo Sergio Zimmermann, diretor-executivo da Estruturar Imóveis Comerciais, empresa com 18 anos de atuação em gestão e intermediação, o preço do aluguel deve ser aplicado em conjunto com as condições oferecidas pelo imóvel.

"Fluxo de pessoas e veículos, visibilidade, facilidade de acesso, estacionamento e infraestrutura compatível com a atividade estão entre os fatores que influenciam a escolha. Quando o imóvel não atende a essas necessidades, a economia inicial pode desaparecer em obras, adaptações e despesas acumuladas antes da abertura", afirma.

Zimmermann explica que imóveis próximos a vias movimentadas, terminais de transporte e regiões de grande circulação podem oferecer vantagens para estabelecimentos que dependem de atendimento presencial.

No Batel, por exemplo, a concentração de espaços corporativos, restaurantes, hotéis e serviços contribui para a procura por salas comerciais. Já na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), a proximidade com rodovias e o acesso logístico são fatores importantes para empresas que precisam transportar mercadorias.

O especialista aponta também a infraestrutura como um dos motivos para a diferença nos preços. Estacionamento, acessibilidade, segurança, elevadores e sistemas de climatização podem diminuir a necessidade de investimentos por parte do locatário.

De acordo com Zimmermann, imóveis com essas características podem apresentar aluguéis entre 20% e 30% superiores às alternativas menos estruturadas. Ele ressalta, porém, que esses percentuais são referências ilustrativas, e não o resultado de um levantamento estatístico. As diferenças variam conforme a localização e o tipo de atividade.

Centro concentra locações comerciais em Curitiba

Embora apresente um dos preços médios por metro quadrado entre os bairros analisados ??pelo FipeZAP, o Centro continua concentrando uma parcela expressiva das localizações comerciais da cidade.

Dados do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar), citados por especialista, mostram que a região central respondeu por 26,8% dos contratos comerciais em maio de 2026 e 25% em junho.

Em julho, a participação do Centro foi de 17,5%, seguida pelo Portão, com 8,3%, e Água Verde, com 7,5%.

O movimento também ocorre em meio às iniciativas de revitalização da região central. O programa Curitiba de Volta ao Centro prevê incentivos econômicos, fiscais e construtivos para estimular a recuperação de imóveis e a instalação de atividades comerciais.

Apesar disso, Zimmermann ressalta que o desempenho de um ponto comercial depende de fatores específicos, como o perfil do público, o estado de conservação do imóvel e a circulação de consumidores no entorno.

Os dados de participação nos contratos indicam onde as locações foram realizadas, mas não significa, necessariamente, que esses bairros tenham os aluguéis mais caros ou a maior procura proporcional à oferta.

Quando vale a pena pagar um aluguel mais caro?

Para Zimmermann, um aluguel mais elevado pode ser financeiramente vantajoso quando o imóvel oferece condições para aumentar o faturamento ou despesas reduzir de funcionamento.

Uma simulação apresentada pelo especialista considera uma empresa que paga R$ 6 mil adicionais por mês para ocupar um imóvel melhor localizado.

Se o novo endereço fornecer R$ 60 mil a mais em vendas mensais e a margem sobre esses investimentos adicionais de 15%, a empresa obteria R$ 9 mil de resultado incremental. Depois de descontar os R$ 6 mil do aluguel, restariam R$ 3 mil por mês, equivalentes a R$ 36 mil em um ano.

O cálculo é hipotético e não considera outros custos e efeitos tributários que também podem influenciar o resultado.

A lógica, segundo o especialista, é comparar quanto uma empresa gastará mais com o espaço e quanto poderá ganhar ou economizar com a mudança.

O que avaliar antes de alugar um imóvel comercial?

Além do valor mensal, o empresário precisa considerar despesas que nem sempre aparecem no anúncio. Entre os principais cuidados recomendados pela Estrutura estão:

Localização e público: avaliar o fluxo de consumidores, a facilidade de acesso, o estacionamento e a logística.

Custo total de ocupação: calcular condomínio, IPTU, garantias, reformas, adaptações, licenças e eventuais meses sem descontos.

Documentação: verificar matrícula, habite-se, zoneamento e condições para obtenção das licenças permitidas.

Infraestrutura: conferir instalações elétricas, acessibilidade, climatização e adequação do imóvel à atividade.

Condições contratuais: considerar os custos de entrada, permanência e devolução do imóvel.

O especialista reforça que o aluguel mais barato não representa, obrigatoriamente, o menor custo para o negócio.

"A decisão não deve partir apenas do valor anunciado. Para o locatário, a questão é avaliar quanto custará ocupar o imóvel e se ele oferece as condições para que a operação funcione sem comprometer a caixa. A escolha precisa considerar o conjunto de despesas e benefícios, porque o aluguel mais baixo na entrada nem sempre resulta no menor custo ao longo do contrato", conclui Zimmermann.

 

Matéria: 29/10/2026 – BAND PARANÁ 

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