Apoio municipal a projetos de retrofit de imóveis desperta interesse de investidores pelo Centro de Curitiba
Apoio municipal a projetos de retrofit de imóveis desperta interesse de investidores pelo Centro de Curitiba
A Prefeitura de Curitiba lançou recentemente um edital que prevê apoio financeiro para projetos de retrofit de imóveis localizados na região central com o objetivo de estimular a reocupação e a revitalização urbana. A iniciativa, que pode custear parte significativa das obras, é vista pelo mercado imobiliário como um passo estratégico para reposicionar o Centro da cidade como um polo mais atrativo para negócios, serviços e convivência.
Na avaliação de Sergio Zimmermann, diretor da Estruturar Imóveis Comerciais, os incentivos previstos no edital podem funcionar como um gatilho importante para a retomada dos investimentos privados na região central. “Não tenho dúvida de que esses incentivos vão atrair reformas e investimentos. O subsídio público para retrofit e construção representa um plus de atratividade para que isso aconteça. Mas, no fim das contas, o mais importante é atrair pessoas para o Centro da cidade, porque são elas que vão gerar consumo, fomentar o comércio e dar segurança para o empreendedor voltar a investir”, afirma.
Segundo o especialista, o processo de esvaziamento do Centro de Curitiba vem ocorrendo há anos e foi agravado pela pandemia, o que impactou diretamente o comércio de rua e a ocupação dos imóveis. “Antes mesmo da pandemia já existia um movimento de descentralização da cidade. A pandemia acelerou esse processo e muitos imóveis ficaram vazios. Hoje, as pessoas encontram praticamente tudo nos bairros, então o Centro precisa voltar a oferecer atratividade, fluxo e conveniência para que as pessoas circulem novamente pela região”, observa.
Zimmermann acredita que o incentivo ao retrofit residencial pode ter um papel decisivo no processo de reocupação urbana. Existem diversos empreendimentos sendo lançados no entorno central, cono estúdios e projetos de uso misto. “Isso gera fluxo de pessoas e, consequentemente, consumo. Com mais moradores e mais circulação, os corporativos voltam, os escritórios retomam espaço e as lojas de rua voltam a faturar”, destaca.
Segurança e mobilidade
De acordo com ele, imóveis voltados a uso misto, comércio de proximidade, gastronomia e serviços tendem a ser os mais beneficiados pela nova dinâmica urbana proposta pelo edital. São segmentos que acabam sendo impactados positivamente quando existe circulação de pessoas, que passam em frente às lojas, consomem e utilizam serviços, o que fortalece toda a cadeia imobiliária e comercial do Centro.
Apesar do cenário considerado promissor, Zimmermann pondera que ainda existem desafios relevantes para garantir a adesão do setor privado, especialmente em relação à segurança, mobilidade e à população em situação de vulnerabilidade social. Para ele, além dos incentivos fiscais e da subvenção pública para as obras, o principal desafio continua sendo a geração de consumo. “Não adianta investir em retrofit, ter desconto de IPTU ou ISS, se o empresário não tiver expectativa de faturamento. O grande desafio é fazer as pessoas voltarem ao Centro, circularem, consumirem e retomarem a confiança na região”, afirma.
Zimmermann lembra que, há cerca de 15 anos, imóveis comerciais em regiões como a Rua XV de Novembro eram altamente disputados pelo mercado, cenário bastante diferente do atual. Nos anos de 2010 e 2011, era muito difícil encontrar uma loja disponível na Rua XV, havia disputa pelos imóveis. Hoje, existem inúmeros espaços vazios no eixo central e os valores de locação caíram bastante. “Se as medidas de incentivo derem certo, com mais pessoas morando e trabalhando no Centro, a tendência é aumentar a ocupação, reduzir a vacância e valorizar novamente os imóveis da região”, avalia.
Para ele, o sucesso do programa dependerá da capacidade do poder público e da iniciativa privada de atuarem conjuntamente na recuperação da vitalidade urbana do Centro de Curitiba. Zimmermann acredita que se esse movimento se confirmar, o cenário tende a ser bastante otimista. “Mais pessoas circulando geram mais consumo, mais empregos, mais negócios e mais investimentos. O retrofit pode ser um instrumento importante para transformar novamente o Centro em um espaço vivo, dinâmico e economicamente forte”, conclui.
Matéria: 16/05/2026 – TOPVIEW
Autor: Reinaldo Bessa
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